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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Pombagiras de Umbanda

Na Umbanda, a entidade espiritual que se manifesta incorporada em suas médiuns está fundamentada num arquétipo desenvolvido à partir da entidade Bombogira, originária do culto Angola.

Nos cultos tradicionais oriundos da Nigéria não havia a entidade Pombagira ou um Orixá que a fundamentasse.

Mas, quando da vinda dos nigerianos para o Brasil (isto por volta de 1800), estes aqui encontram-se com outros povos e culturas religiosas e assimilam a poderosa Bombogira angolana que, muito rapidamente, conquistou o respeito dos adoradores dos Orixás.

Com o passar do tempo a formosa e provocativa Bombogira conquistou um grau análogo ao de Exu e muitos passaram a chamá-la de Exu Feminino ou de mulher dele.

Mas ela, marota e astuta como só ela é, foi logo dizendo que era mulher de sete exus, uma para cada dia da semana, e, com isso, garantiu sua condição de superioridade e de independência.

Na verdade, num tempo em que as mulheres eram tratadas como inferiores aos homens e eram vítimas de maus tratos por parte dos seus companheiros, que só as queriam para lavar, passar, cozinhar e cuidar dos filhos, eis que uma entidade feminina baixava e extravasava o 'eu interior' feminino reprimido à força e dava vazão à sensualidade e à feminilidade subjugadoras do machismo, até dos mais inveterados machistas.

Pombagira foi logo no início de sua incorporação dizendo ao que viera e construiu um arquétipo forte, poderoso e subjugador do machismo ostentado por Exu e por todos os homens, vaidosos de sua força e poder sobre as mulheres.

Pombagira construiu o arquétipo da mulher livre das convenções sociais, liberal e liberada, exibicionista e provocante, insinuante e desbocada, sensual e libidinosa, quebrando todas as convenções que ensinavam que todos os espíritos tinham que ser certinhos e incorporarem de forma sisuda, respeitável e aceitável pelas pessoas e por membros de uma sociedade repressora da feminilidade.

Ela foi logo se apresentando como a "moça" da rua, apreciadora de um bom champagne e de uma saborosa cigarrilha, de batom e de lenços vermelhos provocantes.

"O batom realça os meus lábios, o rouge e os pós ressaltam minha condição de mulher livre e liberada de convenções sociais".

Escrachada e provocativa, ela mexeu com o imaginário popular e muitos a associaram à mulher da rua, à rameira oferecida , e ela não só não foi contra essa associação como até confirmou: "É isso mesmo"!

E todos se quedaram diante dela, de sua beleza, feminilidade e liberalidade, e como que encantados por sua força, conseguiram abrir-lhe o íntimo e confessarem-lhe que eram infelizes porque não tinham coragem de ser como elas.

Aí punham para fora seus recalques, suas frustrações, suas mágoas, tristezas e ressentimentos com os do sexo oposto.

E a todos ela ouviu com compreensão e a ninguém negou seus conselhos e sua ajuda num campo que domina como ninguém mais é capaz.

Sua desenvoltura e seu poder fascinam até os mais introvertidos que, diante dela, se abrem e confessam suas necessidades.

Quem não iria admirar e amar arquétipo tão humano e tão liberalizado de sentimentos reprimidos à custa de muito sofrimento?

Pombagira é isto. 

É um dos mistérios do nosso divino criador que rege sobre a sexualidade feminina. 

Critiquem-na os que se sentirem ofendidos com seu poderoso charme e poder de fascinação.

Amem-na e respeitem-na os que entendem que o arquétipo é liberador da feminilidade tão reprimida na nossa sociedade patriarcal onde a mulher é vista e tida para a cama e a mesa.

Mas ela foi logo dizendo: "Cama, só para o meu deleite e mesa, só se for regada a muito champagne e dos bons!

Com isso feito, críticas contrárias à parte, o fato é que o arquétipo se impôs e muita gente já foi auxiliada pelas "Moças da Rua", as companheiras de Exu.

A espiritualidade superior que arquitetou a Umbanda sinalizou à todos que não estava fechada para ninguém e que, tac como Cristo havia feito, também acolheria a mulher infiel, mal amada, frustrada e decepcionada com o sexo oposto e não encobriria com uma suposta religiosidade a hipocrisia das pessoas que, "por baixo dos panos", o que gostam mesmo é de tudo o que a Pombagira representa com seu poderoso arquétipo.

Aos hipócritas e aos falsos puritanos, pombagira mostra-lhes que, no íntimo, ela é a mulher de seus sonhos... ou pesadelos, provocando-o e desmascarando seu falso moralismo, seu pudor e seu constrangimento diante de algo que o assusta e o ameaça em sua posição de dominador.

Esse arquétipo forte e poderoso já pôs por terra muito falso moralismo, libertando muitas pessoas que, se Freud tivesse conhecido, não teria sido tão atormentado com suas descobertas sobre a personalidade oculta dos seres humanos.

Mas para azar dele e sorte nossa, a Umbanda tem nas suas Pombagiras, ótimas psicólogas que, logo de cara, vão dando o diagnóstico e receitando os procedimentos para a cura das repressões e depressões íntimas.

Afinal, em se tratando de coisas íntimas e de intimidades, nesse campo ela é mestra e tem muito a nos ensinar.

Seus nomes, quando se apresentam, são simbólicos ou alusivos.

- Pombagira das Sete Encruzilhadas;

- Pombagira das Sete Praias;

- Pombagira das Sete Coroas;

- Pombagira das Sete Saias;

- Pombagira Dama da Noite;

- Pombagira Maria Molambo;

- Pombagira Maria Padilha;

- Pombagira das Almas;

- Pombagira dos Sete Véus;

- Pombagira Cigana; etc.

O simbolismo é típico da Umbanda porque na África, ele não existia e o seu arquétipo anterior era o de uma entidade feminina que iludia as pessoas e as levavam à perdição. 

Já na Umbanda, é o espírito que "baixa" em seu médium e, entre um gole de champagne e uma baforada de cigarrilha, orienta e ajuda a todos os que as respeitam e as amam, confiando-lhes seus segredos e suas necessidades. 

São ótimas psicólogas. 

E que psicólogas! 

"Salve as Moças da Rua"! 

Iemanjá( Janaína, ou Dandalunda)

Sincretizada a Nossa Senhora da Conceição, Iemanjá é a mãe de todos os Orixás, segundo as lendas oriundas do Candomblé. Sua cor é o azul claro, e seus domínios são as águas de todos os lugares, porém, sua atuação maior é sobre os mares e oceanos.  Protetora dos marinheiros, dos pescadores, das viagens por mar e sobre toda a flora e fauna marinhas.
thumb_iemanjSua atuação na Umbanda normalmente  é  sobre  as mulheres  casadas, embora  isso  não  seja   uma   regra,  e principalmente sobre a maternidade.
Os oceanos, as praias, os rios, os lagos e as cachoeiras, são domínios de Iemanjá. A força vibratória das águas ou desses locais tem a função de devolver trabalhos ou vibrações de qualquer natureza. O mar sempre devolverá tudo o que for nele jogado ou vibrado. Nas  obrigações à Iemanjá, é comum serem usados pentes, perfumes, maquiagens, espelhos, etc, enfim, coisas ou objetos que normalmente as mulheres usam. Esses objetos não farão com que Iemanjá favoreça mais a uma determinada pessoa e fatalmente contribuirão para a sujeira e poluição das praias. Se alguém quer fazer obrigações à Iemanjá, deve usar ROSAS BRANCAS (só as pétalas da flor, sem galhos e espinhos) e perfume, se possível de ALFAZEMA.

Iemanjá não aceita flores que não sejam brancas.

Alguns têm divulgado que a bebida de Iemanjá é champanhe ou soda limonada.  Isso não é verdade, essas bebidas não existiam na África.

Iemanjá não aceita essas bebidas.

Como todos os Orixás, Iemanjá não quer bebidas ou comidas, quer apenas a sua fé. Se quiser fazer obrigações a Iemanjá, leve flores, perfume, uma vela, e o mais importante:

ORAÇÃO E MUITA FÉ.

Na beira da praia faça seu pedido. Os espíritos trabalhadores na linha de Iemanjá vão ouví-lo(a) e atendê-lo(a) em  seu pedido, o mar  por sua característica vibratória, devolve rapidamente tudo que nele é atirado, mas não firma trabalhos duradouros.
Os resultados, porém, são rápidos e seguros. Isso indica que a Iemanjá podemos pedir ajuda em problemas de urgente retorno, como exemplo, as doenças. Faça seu pedido, ela ouvirá e atenderá.
Alguns ignorantes e incautos vão às praias e lá vibram ou afirmam pontos malignos. Como o mar, que por sua natureza vibratória devolve tudo que nele é jogado, o incauto receberá de volta rapidamente tudo aquilo que pediu e vibrou.
Iemanjá é a mãe de todos os Orixás e também é sua mãe, respeite-a sempre.
Iemanjá é  um  dos  Orixás  mais   cultuados   e respeitados  na Umbanda. Ela está representada na figura da mãe que acompanha o ser humano por toda a vida. É muito evocada nos templos de Umbanda através das sereias e outras ondinas para limpeza fluídica das pessoas e do ambiente.
  • Cor...............Azul claro
  • Domínios........As águas de todos os lugares
  • Atuação.........Sobre a maternidade. (proteção às mães)
  • Saudação.......Adociá, ou Odóia
  • Elemento.......Água.


Comentário do Pai de Santo

Os oceanos, os mares, as praias, os rios, os lagos e as cachoeiras são também seus domínios e Iemanjá delega alguns desses domínios a outros Orixás, como exemplo: as cachoeiras são consagradas a Oxum e a Xangô e os rios, ribeirões e mangues a Nanã Boruquê. 
Nos trabalhos desenvolvidos nos terreiros é comum a evocação de Iemanjá e suas enviadas, tais como os elementais conhecidos como sereias e ondinas ou então a linha dos marinheiros, no sentido de “limpar vibratoriamente” os locais de culto ou descarregar pessoas necessitadas de reajustamento vibratório.
Quanto à forma de cultuar Iemanjá, existe uma verdadeira parafernália nesse sentido. Já vi e ouvi de tudo, já vi levarem as nossas praias, coisas como: barquinhos de isopor, pentes, maquilagens, perfumes, espelhos, etc. Enfim, coisas ou objetos que as mulheres normalmente usam. E também bebidas como champanhe, soda limonada, calda de ameixa ou de pêssego.
Esses objetos não farão com que Iemanjá favoreça mais ou menos a uma pessoa e só irão contribuir para sujeira e poluição de nossas praias. Se você nunca viu um trabalho feito nas praias em homenagem à Iemanjá, ficará horrorizado ao ver o estado e o monte de lixo que deixam nas praias no final desses trabalhos.
Esse procedimento está causando aos umbandistas um sério problema. Os municípios situados no litoral do Estado de São Paulo estão dificultando cada dia mais a realização dos trabalhos de praia. Os moradores desses municípios querem nos ver cada vez mais longe das praias por um simples motivo - a sujeira.
Hoje as prefeituras desses municípios estão cobrando taxas altíssimas para fornecerem autorizações para realização desses trabalhos. Sob a alegação que as taxas são para limpeza das praias após os rituais, querem na realidade nos afastar das praias e não posso culpá-los, a sujeira e o lixo que deixam por lá é enorme.
Nos trabalhos que realizamos na praia no final de todos os anos, temos permissão de levar apenas três velas; uma para Oxalá, outra para Iemanjá e outra para Ogum. Nenhuma outra vela é acesa durante todo o trabalho e não há necessidade disso. Não é o uso de velas que farão um trabalho mais forte ou mais fraco.
Certa vez, ao observar os trabalhos de um outro terreiro, na Praia Grande, no litoral de São Paulo, conversei com uma jovem que acendia uma vela de cada cor, dentro de uma vala aberta na areia, que circundava todo o terreiro. Ao perguntar por que acendia as velas, a jovem respondeu:
“É para dar luz aos Orixás”
Como dar luz aos Orixás?

Essa resposta mostrou claramente que a jovem não sabia o que fazia. Orixás não precisam de luz, principalmente de velas e como ela, todos os demais médiuns acendiam suas velas, no final estava acesa uma verdadeira fogueira ao redor do terreiro, que transmitia além da idéia de sujeira, um tremendo mal cheiro de parafina derretida.
A culpa era da jovem e dos outros médiuns? Lógico que não! A culpa era de sua dirigente, que mais ignorante do que ela lhe ensinava coisas que nem ela mesma sabia como funcionam.
Outro grande erro é oferecer rosas que não sejam brancas ou brancas com os espinhos. Observe a orla da praia depois que os médiuns retornam ao terreiro, após entraram na água para fazer a entrega das flores. A praia estará repleta das flores que não são brancas e das rosas mesmo brancas que contenham os espinhos. Isso acontece porque Iemanjá devolve essas coisas, porque não as aceita dessa forma.
Iemanjá não quer bebidas, comidas, pentes, maquilagens, etc... quer apenas duas coisas de você: devoção e fé.
Se desejar fazer um pedido a Iemanjá, eu lhe ensino esta obrigação.
Vá a praia e leve rosas brancas, sem os talos ou somente as pétalas se desejar e perfume de alfazema. E o mais importante:
“Oração e muita fé”.
Na beira da praia, molhe as flores com o perfume, em seguida ajoelhe-se, faça suas orações, o seu pedido e em seguida jogue as flores na água.
Compreenda que o mar, devido a sua natureza vibratória, devolve tudo que nele é atirado ou vibrado. O mar, no entanto, não afirma trabalhos duradouros, mas os resultados são rápidos e seguros. À Iemanjá podemos pedir ajuda para solução de problemas que necessitem de urgente retorno, como exemplo; a cura para as doenças. Os espíritos trabalhadores na linha de Iemanjá vão ouvi-lo e atendê-lo em seu pedido. Faça sua obrigação e colha os resultados.
Uma das maiores aberrações que vi nas oferendas a Iemanjá, foi o sacrifício de uma pata branca, depositado na estátua de Iemanjá na Praia Grande/SP. Para aquela mãe de santo (com “m” minúsculo), só pude dispensar a ela e a sua corrente, composta de médiuns paupérrimos em espiritualidade, apenas um sentimento:
A piedade.
Ela e os que a seguiam, não sabiam o que faziam, porém, propagavam o fanatismo e a bestialidade, em nome da Umbanda Sagrada, mostrando aos leigos em nossas praticas o que não somos e o que não praticamos.

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Locais Sagrados na Umbanda


 Na Umbanda existem "dogmas" (*) como em qualquer religião. Em cumprimento a esses dogmas, alguns rituais necessitam ser praticados fora de nossos templos. Desta forma, é comum constatar que os umbandistas realizam alguns de seus trabalhos fora do ambiente dos templos.
    Essa prática, a cada dia mais comum, no entanto, tem transformado locais sagrados da Umbanda consagrados aos Guias, aos Orixás e a outras religiões, em verdadeiros depósitos de lixo. Isso porque alguns infelizes infiltrados em nosso meio, que se dizem umbandistas, ou então alguns irmãos umbandistas mal preparados, fanáticos e que normalmente não sabem o que fazem, levam às nossas praias, matas, cachoeiras, pedreiras, rios e lagos uma série de objetos, que muitas vezes nada têm em comum com os dogmas da Umbanda.
    Esses locais de forte campo vibratório, consagrados ao plano astral da Umbanda e também a outras religiões, são a cada dia maculados, de forma que hoje é comum notarmos em nossas matas e nas cachoeiras matanças de animais. Quem pratica essas barbaridades não é o umbandista verdadeiro e sim, o infeliz mistificador ou o ignorante mal preparado. 
    Essas pessoas, na realidade, não têm ideia do que estão fazendo no local, ao local e a elas mesmas. Desconhecem o valor sagrado, vibratório e espiritual desses locais.
    As cachoeiras, que são domínios de Xangô, são de natureza vibratória limpa e condensam energias positivas, desta forma, não sintonizam com energias ou pensamentos negativos ou relacionados à magia negativa. Nos locais sagrados da Umbanda, a figura do elemento exú também está presente, mas apenas como guardião do local.  Quem ensina obrigações negativas nesses locais é o quimbandeiro, que procura destruir a todo custo a prática da magia positiva ou então é o louco vampirizado, que acredita ser umbandista, praticando coisas que julga corretas já que aprendeu essa conduta com outros mais errados do que ele. E esse homem mal preparado irá no futuro formar outros, talvez mais fanáticos do que ele mesmo.
    O umbandista que desejar entrar em sintonia com seus Guias e Orixás não deve em hipótese alguma sujar esses locais consagrados. Se tiver que ir a uma cachoeira acender uma vela (desde que saiba o que está fazendo com ela) faça-o, mas faça-o de forma que não suje as pedras ou o local, você com certeza se sentirá melhor.

(*)- Dogma = Ponto fundamental e indiscutível de uma doutrina.

NANÃ BURUQUÊ - SANTANA

Sincretizada a Santana, a avó de Jesus Cristo é um dos Orixás menos conhecidos e evocados na Umbanda. Nossos irmãos africanos explicam que Nanã é um Orixá feminino já avó. Conhecida como a mais velha das deusas do mar, Nanã chefia a falange das ondinas da linha de Iemanjá. Seus domínios são os rios e ribeirões e o ponto de contato entre as águas do mar e a terra, local que chamamos de mangue.
Nana BoruqueNanã é a protetora nas situações tormentosas e nas perseguições cármicas e tem grande atuação sobre as mulheres já avós, embora isso não seja uma regra. 
A cor de Nanã é o roxo. Nas obrigações são usadas velas roxas ou brancas, flores brancas ou roxas e a sua bebida também é água pura. Conhecida no meio umbandista como a senhora da lei e da firmeza, a ela recorrem todos os que estão em dúvidas nas situações tormentosas da vida.
Devido ao sincretismo com Santana, que por sua vez é a padroeira dos boiadeiros, nota-se a devoção dos boiadeiros por Nanã Buruquê em seus pontos cantados e na cor das velas, desta forma Nanã e Santana passaram a ser reverenciadas pelos boiadeiros conjuntamente.
É considerada um dos Orixás mais exigentes na escolha de seus filhos. Embora transmita o exemplo da mãe, procura associar-se mais com a posição reservada aos velhos em qualquer sociedade, por esse motivo na Umbanda são raras as filhas de Nanã. Na Umbanda, Nanã Buruquê não afirma na cabeça de adeptos masculinos, pelo menos nunca conheci nenhum filho masculino de Nanã.
A capacidade que Nanã tem de amparar as pessoas nas situações de grande tormento, faz dela um Orixá de grande força, sendo respeitadíssima na Umbanda.
“Se um dia a dúvida pairar em sua cabeça, peça ajuda a Nanã, com certeza Ela o ajudará”.
  • Cor .................. Roxo
  • Domínios .......... Ribeirões e mangues
  • Atuação ........... Contra perseguições espirituais
  • Saudação ......... Salubá Nanã
  • Elemento ......... Água
Comentário do Pai de Santo

Da mesma forma que ocorre com Omulu  os filhos de Nanã são mais raros no meio umbandista. Outra curiosidade que constatei é que Nana não afirma em cabeça masculina, na verdade nunca conheci um filho masculino de Nana. Por ser um Orixá que pouco se manifesta nos trabalhos, Ela é também muito pouco conhecida no ambiente material da Umbanda. Até hoje conheci apenas um templo dedicado a Nanã, mostrando que eles são realmente muito raros. O plano espiritual, no entanto, a evoca com certa freqüência, principalmente nos trabalhos de desobsessão pesada.
Sua atuação nesse sentido fez com que viesse a ser reverenciada com grande respeito em nosso meio.  
Suas enviadas quando incorporadas, dançam de forma lenta, dando a impressão de uma mulher que embala uma criança em seus braços.

OGUM NA UMBANDA

Que a paz de Oxalá esteja com todos



Primeiro precisamos entender que quando falamos dos Oguns que baixam nos Templos de Umbanda rodando suas espadas no ar, não são o próprio Orixá Ogum, pois o Orixá não baixa na Umbanda, muito menos são Caboclos de Ogum, os caboclos de Ogum são índios que fazem cruzamento com este Orixá.
O Povo de Ogum que baixa nos terreiros são espíritos de homens que fora ligados ao militarismo de alguma forma, estes espíritos por afinidades astrológicas e energéticas trabalham nessa linha são Guerreiros Romanos, Gregos, Espartanos, Mouros, Gauleses, Bárbaros,Hititas, Egípcios, Malês, Sarracenos, Templários, Britânicos, Chefes Indígenas, Bedúinos,Persas, Macedônios, Chineses, Samurais, Babilônicos, enfim vários países e territórios.
Vamos a explicações:

Ogum Matinata: Veste Vermelho apenas, é a linha mais pura de Ogum, sando chamado por Ogum Guerreiro.

Ogum Beira-Mar: Veste Vermelho e Azul Claro, ligado as praias de Iemanjá, conhecido como o Sentinela de Maria.

Ogum de Lei (Ogum Delê): Ligado a Xangô usa Vermelho e dourado, cor de sua armadura trás uma balança nas mãos ligado a execução da justiça.

Ogum Yara: Ligado a Ibeji e Oxum, usa vermelho e Azul escuro trabalha nas nascentes dos rios.

Ogum Malê ou Malei: Ogum ligado a Oxalá,patrono das entidades do Oriente e de Cura, cuida de todos espíritos dos médicos astrais, usa Vermelho e Branco, não usa acapacete.

Ogum Megê: Serventia de Obaluae, regula os Exus, trabalha muitas vezes dentro da Calunguinha, veste Preto, Vermelho e Amarelo, usa bandeira e lança como arma,alguns usam espadas, sempre respresentado montado num cavalo branco.

Ogum Rompe-Mato: Ligado a Oxossí, cuida das entradas das matas e florestas, usa Verde escuro e Vermelho, uma espada de São Jorge na mão, alguns usam fitas na cabeça.

Ogum Sete-Espadas: Ligado a energia pura de Ogum, vibra com Ogum Matinata, usa uma espada na mão e outras seis cruzadas na capa, Usa vermelho e prata.

Ogum Sete-Ondas: Vibra com Ogum Beira-Mar, trabalha nas ondas do mar,ligado a Iemanjá usa Azul Royal e Vermelho, se veste com capacete de conchas.

Ogum das Pedreiras: Guarda as pedreiras de Xangô de armadura dourada e penas marrons, vibra com Ogum de Lei quase não se desloca grande executor não aceita ordens.

Ogum Caiçara: Vibra com Ogum Yara, usa Vermelho e Azul bebê, se desloca pelo templo cuida do fundo da foz dos Rios.

Ogum do Oriente: Vibra com Ogum Malê, coms ligações arábes traz um turbante, vibra com as cores vemelho, branco e dourado.

Ogum de Ronda: Trabalha com Ogum Megê trabalha nas entradas da Calunguinha, corre sua ronda a Meia-Noite.Usa Preto, Vermelho e Verde. Trás cruz de Malta no peito.

Ogum das Matas: Usa Verde e Branco são espíritos Indigênas, usam espadas e bradam muito.

Ogum Sete-Lanças: Ligado a Ogum Matinata e Sete-Espadas usa vermelho apenas,  roda cruzando o terreiro.

Ogum Sete-Mares: Ligado a Ogum Beira-Mar e Ogum Sete-Ondas, cuida dos Mares usa azul bem escuro e vermelho.

Ogum de Ouro: Trabalha com Ogum de Lei e Ogum das Pedreiras, Usa Vermelho e Amarelo. Vibra com Iansã.

Ogum Menino: Vem com Ogum Yara e Ogum Caiçara trabalha nos lajeados e barrado de corais. Usa Vermelho e Azul.

Ogum da Lua: vibra com Ogum Malê e Ogum do Oriente, trabalha nas vibrações lunares, nos campos abertos do Humaitá. Usa Vermelho e branco.

Ogum Xoroquê: Trabalha com Ogum Megê e Ogum de Ronda vibra muito com Exu, ligado a obaluae tbm, é o Ogum mais negativo. Usa Preto, Vermelho e Branco.
 
Ogum dos Rios: Trabalha com Ogum Rompe-Mato e Ogum das Matas usa verde Agua e vermelho apesar do nome trabalha nas Pontes.

Além desses ainda existem outros Oguns: Ogum Naruê (Trabalha na calunguinha), Ogum da Estrada (Trabalha na estrada), Ogum Rompe Folha (Trabalha na Mata) Ogum Bandeira (Trabalha no Humaitá), Ogum Gererê (Ligado a Xangô).

 Que Oxalá nos abençoe sempre

IANSÃ



Salve o Dia 04 de Dezembro!
Eparrei Oyá!
                                                Mitos, Lendas, Associações e Principais Características
                    Senhora da Tarde, Dona dos Espíritos, Senhora dos Raios e das Tempestades.
Oyá, mais conhecida no Brasil como Yansã, foi uma princesa real na cidade de Irá, na Nigéria em 1450a.C.. Sobrinha-neta do rei Elempe e neta de Torossi(mãe de Xangô), conquistou com valentia, coragem e dedicação seu caminho para o trono de Oyó.
Conhecedora de todos os meandros da magia encantada, nunca se deixou abater por guerras, problemas e disputas.
Foi mulher de seu primo Xangô e ajudou-o a conquistar vários reinos anexados ao Império Yorubano. Porém, abandonou-o em defesa de sua cidade natal, disposta a enfrentá-lo.
Oyá recebeu, de Olorun, a missão de transformar e renovar a natureza através do vento, que ela sabe manipular. O vento nem sempre é tão forte, mas, algumas vezes, forma-se uma tormenta, que provoca muita destruição e mudanças por onde passa, havendo uma reciclagem natural. Normalmente, Oyá sopra a brisa, que, com sua doçura, espalha a criação, fazendo voar as sementes, que irão germinar na terra e fazer brotar uma nova vida. Além disso, esse vento manso também é responsável pelo processo de evaporação de todas as águas da terra, atuando junto aos rios e mares. Esse fenômeno é vital para a renovação dos recursos naturais, que, ao provocar as chuvas, estarão fertilizando a terra.
Divindade eólica, sopram os ventos que afastam as nuvens, para a passagem dos raios desferidos por Xangô. E é o raio que abre os reservatórios do céu, para fazer cair a chuva, relação comum em todas as mitologias.
Apesar de dominar o vento, Oyá originou-se na água, assim como as outras yabas, que possuem o poder da procriação e da fertilidade. Está relacionada com o número 9, indicativo principal do seu odú.
Oyá está associada ao ar, ao vento, a tempestade, ao relâmpago/raio (ar+movimento e fogo) e aos ancestrais (eguns). Na Nigéria ela é a deusa do rio Niger. É a menina dos olhos de Oxalá, seu protetor, e a única divindade que entra no Ibalé dos Eguns(mortos).
Oyá tem ligações com o mundo subterrâneo, onde habitam os mortos, sendo o único orixá capaz de enfrentar os eguns. Entre as individuações da multifacetária Iansã, uma delas é como Deusa dos Cemitérios.
Impetuosa, guerreira e de forte personalidade, é reverenciada no culto dos eguns. Em yorubá, chama-se Odò Oyà.
Oyá, em tempos remotos, era patrona (ou matrona) de uma sociedade secreta feminina, que cultuava os ancestrais (pessoas já desencarnadas pertencentes à religião), que denominamos Egungun. Foi o orixá Ogun que conseguiu acabar com a primazia das mulheres nesse culto, que passou a ser exclusivamente masculino. Mas, apesar disto, Oyá ainda é reverenciada nessa sociedade.
Oyá, segundo a mitologia, é um orixá muito forte, enfrentando a tudo e a todos por seus ideais. Não aceita a submissão ou qualquer tipo de prisão.
Faz parte de sua indumentária a espada curva (alfanje), o erukere, que usava para sua defesa, além de muitos braceletes e objetos de cobre.
Sua dança é muito expansiva, ocupando grande espaço e chamando muita atenção.
Duas espadas e um par de chifres de búfalo representam a imagem de Oyà.
Suas contas são vermelhas ou tijolo, o coral por excelência, o monjoló (uma espécie de conta africana, oriunda de lava vulcânica).
Seus símbolos são: os chifres de búfalo, um alfanje, adaga, eruesin [eruexin] (confeccionado com pelos de rabo de cavalo, encravados em um cabo de cobre, utilizado para "espantar os eguns").
Com Oxalá aprendeu sobre o uso do raciocínio e o dom da paciência. Por isso ela não desiste facilmente de seus objetivos, sabendo esperar o momento certo para conquistá-los.
Oyá é puro movimento. Não pode ficar parada, para não extinguir sua energia. O vento nunca morre, ele está sempre percorrendo novos espaços.
Arquétipo
Arquetipicamente, Iansã é a mulher guerreira que, em vez de ficar no lar, vai à guerra. São assim os filhos de Iansã, que preferem as batalhas grandes e dramáticas ao cotidiano repetitivo.
Costumam ver guerra em tudo, sendo portanto competitivos, agressivos e dados a ataques de cólera. Ao contrário, porém, da busca de certa estratégia militar, que faz parte da maneira de ser dos filhos de Ogum, que enfrentam a guerra do dia-a-dia, os filhos de Iansã costumam ser mais individualistas, achando que com a coragem e a disposição para a batalha, vencerão todos os problemas, sendo menos sistemáticos, portanto, que os filhos de Ogum.
São quase que invariavelmente de Iansã, os personagens que transformam a vida num buscar desenfreado tanto de prazer como dos riscos. São fortemente influenciados pelo arquétipo da deusa aquelas figuras que repentinamente mudam todo o rumo da sua vida por um amor ou por um ideal. Faz parte dos filhos de Iansã a maior arte dos militantes políticos não cerebrais por excelência. Ao mesmo tempo, quando rompem com uma ideologia e abraçam outra, vão mergulhar de cabeça no novo território, repudiando a experiência anterior de forma dramática e exagerada, mal reconhecendo em si mesmos, as pessoas que lutavam por idéias tão diferentes. Talvez uma súbita conversão religiosa, fazendo com que a pessoa mude completamente de código de valores morais e até de eixo base de sua vida, pode acontecer com os filhos de Iansã num dado momento de sua vida.
Da mesma forma que o filho de Iansã revirou sua vida uma vez de pernas para o ar, poderá novamente chegar à conclusão de que estava enganado e, algum tempo depois, fazer mais uma alteração - tão ou mais radical ainda que a anterior.
O temperamento dos que têm Oyá como Orixá de cabeça, costuma ser instável, exagerado, dramático em questões que, para outras pessoas não mereceriam tanta atenção e, principalmente, tão grande dispêndio de energia.
São do tipo Iansã, aquelas pessoas que podem ter um desastroso ataque de cólera no meio de uma festa, num acontecimento social, na casa de um amigo - e, o que é mais desconcertante, momentos após extravasar uma irreprimível felicidade, fazer questão de mostrar, à todos, aspectos particulares de sua vida.
Como esse arquétipo que gera muitos fatos, é comum que pessoas de Iansã surjam freqüentemente nos noticiários. Ao mesmo tempo, é um caráter cheio de variações, de atitudes súbitas e imprevisíveis que costumam fascinar (senão aterrorizar) os que os cercam e os grandes interessados no comportamento humano.
Os Filhos de Iansã são atirados, extrovertidos e chocantemente diretos. Às vezes tentam ser maquiavélicos ou sutis, mas só detidamente. A longo prazo, um filho de Iansã sempre acaba mostrando cabalmente quais seus objetivos e pretensões. Eles têm uma tendência a desenvolver vida sexual muito irregular, pontilhada por súbitas paixões, que começam de repente e podem terminar mais inesperadamente ainda. São muito ciumentos, possessivo, muitas vezes se mostrando incapazes de perdoar qualquer traição - que não a que ele mesmo faz contra o ser amado. Ao mesmo tempo, costumam ser amigos fiéis para os poucos escolhidos ara seu círculo mais íntimo.
Um problema, porém, pode atrapalhar tudo: a inconstância com que vê sua vida amorosa; outros detalhes podem também contaminar os aspectos profissionais.
Todas essas características criam uma grande dificuldade de relacionamentos duradouros com os filhos de Iansã. Se por um lado são alegres e expansivos, por outro, podem ser muito violentos quando contrariados; se têm a tendência para a franqueza e para o estilo direto, também não podem ser considerados confiáveis, pois fatos menores provocam reações enormes e, quando possessos, não há ética que segure os filhos de Iansã, dispostos a destruir tudo com seu vento forte e arrasador.
Resumo
Sincretismo: Santa Bárbara
Suas cores: vermelho e coral
Saudação : Eparrei!
Seu dia : Quarta-feira
Comida predileta: acarajé, milho temperado com camarão e azeite de dendê.
Frutas e verduras: manga rosa, uva vermelha, maçã, cenoura, quiabo.
Plantas: espada de Iansã (borda amarela) e bambu.
Elemento: fogo e ar
Festa: 4 de dezembro, dia de Santa Bárbara, com quem está identificada.
Pedras: rubi, coral, granada.

AS CRIANÇAS NA UMBANDA

                    A linha das crianças, cujos membros baixam nos centros de Umbanda, é de todas a mais misteriosa. 
Esses espíritos infantis nos surpre­en­dem pela ternura, inocência, argúcia, carinho e amor que vibram quando baixam em seus médiuns. 
O arquétipo não foi fornecido pelo lado material da vida, pois uma criança com seus 7, 8 ou 9 anos de idade, por mais inteligente que seja, não está apta intelectualmente a orientar adultos atormentados por profundos desequilíbrios no espírito ou na vida material. 

Quem forneceu o arquétipo foram os seres que denominamos "encantados da natureza".
Não foi baseado em espíritos de crian­ças que desencarnaram que essa linha foi fundamentada, e sim nas cri­an­­ças encan­tadas da natureza, que os aco­lhem em seus vastos reinos na na­tureza em seu lado espiritual e os am­param até que cresçam e alcancem um novo estágio evo­lu­tivo, já como espí­ri­tos naturais.
Os espíritos que se manifestam na linha das crianças atendem pessoas e auxiliam-nas com seus passes, seus ben­zi­mentos e suas magias elementais, tudo isso feito com alegria e simpli­cidade enquanto brincam com seus carrinhos, apitos, bonecas e outros brin­­quedos bem caracterizadores do seu arqué­tipo.  Ele é tão forte que adul­tos encar­na­dos sisudos se transfiguram e se tornam irreconhecíveis quando incor­poram sua criança. 
A presença desses espíritos infantis é tão marcante que mudam o ambiente em pouco tempo, descontraindo todos os que estiverem à volta deles. 
Todo arquétipo só é verdadeiro se for fundamentado em algo pré-exis­tente. O arquétipo "Caboclo" funda­men­­tou-se no índio brasileiro e no sertanejo mestiço. O arquétipo "Preto-Velho" funda­men­tou-se no negro já an­cião, rezador, mandingueiro e curador. 
O arquétipo "Criança" fundamen­tou-se na inocência, na franqueza e na ingenuidade dos seres encantados ainda na primeira idade: a infantil. 
E, caso não saibam, há dimensões inteiras habitadas só por espíritos nesse estagio evolutivo conhecido, no lado ocul­to da vida, como "estágio encan­tado". Nessas dimensões da vida há eles e suas mães encantadas, todas elas devotadas à educação moral, cons­ciencial e emocional, contendo seus excessos e direcionando-os à senda evolucionista natu­ral, pois eles não serão en­viados à dimensão hu­mana para encar­na­rem. 
A elas compe­te supri-los com o indis­pensável para que não entrem em de­pressão e caiam no autismo ou regres­são emocional, muito comum nessas dimensões. 
Nelas há reinos encantados muito mais belos do que os "contos de fadas" do imaginário popular foi capaz de des­crever ou criar. 
Cada reino tem uma senhora, uma mãe encantada a regê-lo. E há toda uma hierarquia a auxiliá-la na manu­tenção do equilíbrio para que os milha­res de espíritos infantis sob suas guar­das não regridam, e sim, amadureçam lentamente até que possam ser condu­zidos ao estágio evolutivo posterior. 
O arquétipo é forte e poderoso porque por trás dele estão as mães Orixás, sustentando-o, e também es­tão os pais Orixás, guardando-o e ze­lan­do pela integridade desses espíritos infantis. 
A literatura existen­te sobre esse estágio se restringe a alguns livros de nossa auto­ria que abordam o está­gio encantado da evolução dos espíritos. 
Mas que ninguém duvide da exis­tên­cia dele porque ele realmente existe e não seriam "crianças" humanas recém-desencarnadas e que nada sabiam da magia que iriam realizar os prodígios que os "Erês" realizam em benefício dos freqüentadores das suas sessões de trabalhos ou com forças da natureza quando oferendados em jardins, à beira-mar, nas cachoeiras ou em bosques frutíferos. 
Há algo muito forte por trás do arquétipo e esse algo são os Orixás encantados, os regentes da evolução dos espíritos ainda na "primeira idade".